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Brasil SAÚDE NO CAMPO

Com Programa Saúde no Campo, Senar amplia atendimento à população rural

Iniciativa já alcançou mais de 55 mil pessoas em 25 estados e pretende expandir acesso à prevenção, orientação e acompanhamento em saúde para produtores rurais, seus familiares e trabalhadores

13/09/2026 às 04h55 Atualizada em 13/09/2026 às 05h08
Por: Humberto Vital Fonte: ESTÚDIO FOLHA
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Equipe do programa Saúde no Campo durante visita a produtores rurais - Divulgação Sistema CNA/Senar
Equipe do programa Saúde no Campo durante visita a produtores rurais - Divulgação Sistema CNA/Senar

Há pouco mais de um ano, produtores rurais, suas famílias e trabalhadores passaram a receber um novo tipo de visita nas propriedades: a de técnicos de saúde rural. O objetivo não era substituir médicos nem oferecer consultas, mas levar orientação, prevenção e acompanhamento para quem muitas vezes vive distante dos serviços de saúde. Em apenas 12 meses, o Programa Saúde no Campo, do Senar, ultrapassou a marca de 55 mil pessoas atendidas e agora entra em uma nova fase, com a meta de ampliar seu alcance.

Criado para promover a saúde e melhorar a qualidade de vida da população rural, o programa é gratuito e atende produtores assistidos pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar, além de seus familiares e trabalhadores que vivem na propriedade.

O modelo aposta na proximidade. Em vez de esperar que o produtor procure um serviço de saúde, o atendimento acontece dentro da propriedade rural. Técnicos de saúde realizam visitas periódicas para orientar as famílias, acompanhar condições crônicas, incentivar hábitos saudáveis e identificar situações que exigem encaminhamento para a Telessaúde no Campo ou para o Sistema Único de Saúde (SUS). O profissional não substitui o médico, não faz diagnósticos nem prescreve medicamentos, mas ajuda a aproximar o morador do campo da rede de saúde.

O trabalho é organizado em quatro pilares: presença territorial, educação em saúde, telessaúde e integração com a rede local de saúde. Cada técnico acompanha até 30 propriedades rurais e desenvolve ações individuais e coletivas voltadas principalmente à prevenção de doenças e à promoção da saúde. Os participantes também recebem materiais educativos com informações sobre as doenças mais frequentes no meio rural e orientações para o autocuidado.

O atendimento pode durar até 24 meses, de acordo com a necessidade de cada família. As primeiras visitas são realizadas em conjunto com o técnico da Assistência Técnica e Gerencial do Senar, profissional que já acompanha o produtor, reforçando a segurança e a confiança no programa.

Além da orientação e do acompanhamento, o programa contribuiu para o diagnóstico precoce de problemas de saúde, o monitoramento de doenças crônicas e o fortalecimento do vínculo entre as famílias e a rede pública de atendimento.

As visitas também permitiram traçar um panorama das condições de saúde dessa população. Entre os participantes, 21.163 relataram algum tipo de comorbidade. As doenças cardiovasculares aparecem como o principal problema, representando 39,57% dos casos, seguidas pelo diabetes (16,56%) e por questões relacionadas à saúde mental (12,61%).

A estrutura do programa reúne módulos compostos por um supervisor, obrigatoriamente enfermeiro, e 15 técnicos de saúde rural, profissionais com formação técnica em enfermagem ou graduação em enfermagem. Cada módulo pode atender até 2.250 pessoas distribuídas em 450 propriedades. Atualmente, cerca de 800 profissionais atuam no campo.

Para o presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), João Martins, a iniciativa surgiu a partir de uma necessidade observada durante o atendimento técnico aos produtores. Segundo ele, os resultados do primeiro ano mostram que a proposta pode ir além da fase inicial.

"Estamos dando uma colaboração importante para reduzir os problemas de saúde no meio rural. Agora o desafio é ampliar o Saúde no Campo para todos os atendidos pela assistência técnica do Senar."

A expectativa é acelerar esse crescimento. A meta é alcançar 100 mil atendimentos neste ano e, em uma etapa posterior, expandir o programa para 500 mil produtores rurais em todo o país.

O diretor-geral do Senar, Daniel Carrara, afirma que a expansão faz parte de um projeto mais amplo da instituição. "Somos referência na formação inicial, no ensino técnico, na educação à distância e na assistência técnica e gerencial. O desafio é ser referência na área de saúde, não só para o setor rural, mas para o país. Acho que conseguimos atingir esse objetivo. O setor rural precisa e merece", afirma.

Os indicadores mostram o crescimento do programa, mas seu impacto também aparece nos relatos de quem vive no campo. "Eu me preocupava com a propriedade, mas estava esquecendo da minha saúde. Não sabia, mas estava fraquejando e morrendo aos poucos", afirma o produtor rural Adonisio Santos, de Queimadas, na Bahia.

Com o apoio conjunto da ATeG e do programa Saúde no Campo, a família passou a tratar a água consumida, adotar hábitos mais saudáveis e buscar acompanhamento regular na rede pública de saúde. "Se o Senar não chega, com seus técnicos, eu estaria nadando e morrendo na praia", finaliza.

*conteúdo patrocinado produzido pelo Estúdio Folha

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