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Partidos e Tarcísio defendem resultado das urnas que deu vitória a Lula após carta golpista de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado nas urnas, divulgar duas versões de uma carta de teor golpista. Na primeira, Flávio se autointitula “presidente eleito” do país. Na segunda, atribui a si a condição de “líder do Brasil.

28/10/2026 às 20h47
Por: Humberto Vital Fonte: O GLOBO
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Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA após fugir do país — Foto: Joe Raedle/Getty Images/AFP
Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA após fugir do país — Foto: Joe Raedle/Getty Images/AFP

Os partidos União Brasil, PSD, MDB, PSDB, PT, PC do B, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT defenderam o resultado da eleição no domingo que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado nas urnas, divulgar duas versões de uma carta de teor golpista. Na primeira, Flávio se autointitula “presidente eleito” do país. Na segunda, atribui a si a condição de "líder do Brasil. Em ambas, o senador levanta, sem provas, acusações contra o resultado das urnas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que, apesar de entender a “indignação” de Flávio, o caminho é “respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”. Tarcísio é aliado do ex-presidenciável e considerado possível candidato do centro e da direita nas próximas eleições. Ele afirmou em nota divulgada à imprensa que o momento exige "responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte".

"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia", diz o texto enviado pelo governador.

Partidos de esquerda divulgaram uma nota conjunta em que afirmam que o país não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático e que o candidato derrotado “fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça”. No texto, afirmam que Flávio “buscou abrigo” junto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que “atuou abertamente para interferir” no pleito brasileiro e que “a contestação do resultado não se sustenta”. As siglas disseram ainda que “não é a primeira vez que a família Bolsonaro se recusa a aceitar a vontade das urnas”, citando a trama golpista que levou à prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada”, diz a nota assinada por PT, PC do B, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT.

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, divulgou nota à imprensa afirmando que a democracia é “um valor inegociável” para o partido. “Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas”, diz, em nota. O dirigente também afirma que a eleição no domingo “transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”.

“Nesse momento é essencial que as instituições sejam maiores que as pessoas. Passada a eleição, é hora de encerrar a disputa e pensar nos enormes desafios que se colocam diante do nosso país”, diz.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, diz que o partido reafirma nota divulgada na segunda-feira em que cumprimenta Lula e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, além de desejar um “bom governo a toda sua equipe” e também reitera o “compromisso com nossa democracia”.

“Tenho certeza que nossos parlamentares e governadores eleitos seguirão defendendo os bons projetos e manterão a relação republicana com o governo federal, em defesa do objetivo comum a todos nós, que é o desenvolvimento do Brasil e o bem-estar da nossa população”, afirma, em nota.

Presidente do PSDB, Aécio Neves classificou como “absolutamente imprópria” a carta divulgada pelo ex-presidenciável e disse que a atitude dele é “inacreditável e inaceitável”.

—As eleições terminaram, o papel de quem perde é fiscalizar o governo e atuar na oposição e não buscar, através de um artifício, criar qualquer desestabilização institucional no país. Para o PSDB, a democracia é valor absoluto e tudo depende dela. Nós atuamos dessa forma, não apoiamos a candidatura do Lula, mas respeitamos o resultado da eleição— diz.

O perfil do MDB no X (antigo Twitter) compartilhou mensagem na qual reafirma a "total confiança no sistema eleitoral brasileiro" e, portanto, "na legitimidade do resultado do pleito do último domingo".

O prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou ao GLOBO que reconhece o resultado das eleições presidenciais e que caberá aos parlamentares de partidos adversários ao governo Lula fiscalizar as ações do presidente eleito.

— Prevalece aquele que o TSE declarou eleito. Cabe agora ao Lula governar buscando corrigir os rumos, principalmente da economia, e à oposição fiscalizar e cobrar o cumprimento das promessas — disse Nunes.

Dentro do próprio PL, partido de Flávio, o ex-coordenador da campanha presidencial do bolsonarista, o senador Rogério Marinho (RN), disse não ser possível se falar em fraude eleitoral por não haver provas neste sentido.

— O PL não pode fazer essa afirmação (de fraude eleitoral), nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido — disse Marinho, em entrevista no Senado.— Acredito que deve ter havido algum problema na confecção da carta. O fato é o que está na sua manifestação oficial, ele se autodenomina como líder, o que é um fato. Ele é um líder do Brasil — disse ele.

Também aliado de Flávio, o pastor Silas Malafaia disparou nesta quarta-feira uma mensagem pelo aplicativo WhatsApp em que chama os filhos de Jair Bolsonaro de “jumentos”. O comentário, obtido pela equipe da coluna Malu Gaspar, foi uma reação à carta de Flávio.

"Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu Silas Malafaia. “(Donald) Trump já tirou o apoio. Deixei ele vir para a América, mas não me meto nessa questão. Um bando de amadores babacas”.

Líder do governo Lula na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirma que o governo recebeu com “total perplexidade a gravidade” da manifestação de Flávio e acusa o adversário de tentar propor um “levante” no país. Ele diz que o senador busca “levantar suspeição sobre o funcionamento das instituições brasileiras na comunidade internacional”.

— Entendemos que é o momento de haver um grande movimento em defesa da democracia e soberania brasileira. Não deve ser um movimento feito somente pelos apoiadores de Lula, mas todos os partidos políticos, inclusive que apoiaram Flávio e já reconheceram o resultado das urnas, e entidades representativas da sociedade — diz.

O deputado afirma que é preciso que demais partidos políticos, integrantes do Judiciário e da sociedade civil se posicionem repudiando a manifestação de caráter golpista de Flávio. Ele diz que não se pode permitir que uma “narrativa irresponsável que pode trazer consequências graves ao país possa ser disseminada, a nível nacional, fique impune”. Pimenta também afirma que a atitude de Flávio “ultrapassou todos os limites” e é uma ação de “traição à pátria” que exige uma resposta “contundente”.

Nesta quarta-feira, o presidente do TSE, Nunes Marques, divulgou uma nota em defesa da legitimidade das eleições e do respeito à vontade dos eleitores. Embora não tenha mencionado Flávio nem a carta, o magistrado afirmou que todos os questionamentos apresentados dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos.

"Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes", afirmou Nunes Marques.

O presidente do tribunal também destacou que as eleições transcorreram dentro da normalidade, apesar da instabilidade registrada na reta final da votação do segundo turno.

"Informo que todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos", declarou.

Flávio foi derrotado nas urnas no domingo, mas recebeu 59.826.041 votos dos brasileiros. Neste ciclo eleitoral, o PL fez as maiores bancadas da Câmara e Senado. Foram eleitos os irmãos Carlos Bolsonaro (PL-SC) e Jair Renan (PL-SC), além da madrasta Michelle Bolsonaro (PL-DF).

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