
A cidade de Cabedelo, no litoral da Paraíba, está sendo considerada um “paraíso do Nordeste com câmeras por toda parte”, o que aparentemente sugere segurança redobrada, mas em reportagem especial levada ao ar na edição de ontem (10), o programa Fantástico, da TV Globo, mostrou que “o que parece sinal de segurança significa perigo”. Cabedelo é um destino turístico da Paraíba que passou a ser monitorado por criminosos a mais de 2 mil quilômetros de distância.
Segundo a reportagem, a Polícia Federal e o Ministério Público já realizaram na cidade mais de dez operações para combater a corrupção e o crime organizado na cidade de mais de 60 mil habitantes, identificando que o Comando Vermelho se infiltrou em pontos estratégicos da prefeitura do município.
Ainda conforme a reportagem criminosos ditam regras e interferem na rotina dos moradores. Cabedelo cresceu entre o mar e o rio, e tudo é muito perto. A praia colorida é uma atração para os turistas, mas quem mergulha dentro da cidade encontra uma outra Cabedelo, cheia de ausências. Há falta de coleta de lixo, falta de asfalto e vielas vazias onde o silêncio não é de paz.
Nesse cenário, as pessoas têm medo de gravar entrevistas ou falar sobre o assunto. João Marcos Gomes Cruz Silva, delegado regional de Polícia Judiciária da PF na Paraíba, afirma que “a cidade de Cabedelo, infelizmente, ela vive um colapso institucional”. Leonardo Quintans, procurador-geral de Justiça do MP-PB, complementa: “A sociedade fica refém, a sociedade perde sua liberdade, a sociedade passa a ser comandada por esse poder paralelo”.
Segundo as investigações, integrantes do Comando Vermelho monitoram a rotina de Cabedelo a partir do Rio de Janeiro. De lá, alguém vê tudo. Áudios obtidos mostram a organização do monitoramento: “ Tem 30 câmeras geral ”. Um integrante, ao mostrar o monitoramento de câmeras por vídeo, diz: “Oi, família. Minha visão de cria aqui. Só paz e tranquilidade”. Para a polícia, trata-se de um “home office do crime organizado”.
O Complexo do Alemão reúne 13 favelas na Zona Norte do Rio e, nas investigações, um nome aparece com frequência: Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka. Aos 43 anos, ele começou na facção Nova Okaida, na Paraíba, e depois fundou a Tropa do Amigão, um dos braços do Comando Vermelho no Nordeste. Contra ele, há 13 mandados de prisão por tráfico, homicídios e organização criminosa. Fatoka chegou a ficar preso no Presídio de Segurança Máxima da Paraíba, mas fugiu em setembro de 2018 em uma fuga em massa de 92 detentos que usaram explosivos. Capturado novamente, conseguiu uma medida judicial para liberdade com tornozeleira eletrônica em 2022. No mesmo dia em que o dispositivo foi instalado, ele o rompeu e fugiu para o Rio de Janeiro.
Mesmo longe, Fatoka continua ditando ordens. Áudios revelam planos de expansão para o bairro do Bessa, em João Pessoa: “O que está faltando de nós é ponteamento no Bessa. Aquele quadrado todinho”. O termo “ponteamento” significa mapear território e eliminar rivais. Com isso, ele consegue operar as práticas criminosas com tranquilidade e segurança, diz Quintans.

Nas ruas de Cabedelo, pichações com a abreviatura do nome de Fatoka e do Comando Vermelho marcam o domínio territorial. Moradores vivem reféns; imagens mostram grupos de 13 homens armados atravessando ruas e efetuando disparos para o alto em áreas residenciais. Um criminoso afirma em vídeo: “Tropa do amigão tá na pista, viu? A minha aqui tá tão pesada que não consigo levantar a mão direito”.
As câmeras clandestinas, chamadas de “besouros”, são os olhos do chefe sobre o território. Quando um rival aparece, a ordem é direta: “Aço nele, demorou”. Em setembro de 2024, um morador gravou um vídeo após o carro de sua esposa ser atingido por tiros: “Tá aqui ó, marca da bala, tá vendo? A gente nunca passou por isso. Só peço, pelo amor de Deus, cara, tem cuidado com os inocentes”. O apelo chegou a Fatoka, que respondeu por áudio: “Os caras sabem que a gente tá numa guerra, um carro igual ao dos ‘alemão’, aí, fica andando pra lá e pra cá, uma hora daquela. Deixar de ser otário”.
A Polícia Militar realiza operações para localizar esses equipamentos. O tenente-coronel Luiz Antônio, comandante de batalhão da PM-PB, explica que os criminosos disfarçam as câmeras com fita isolante em meio aos fios dos postes ou até dentro de canos metálicos pintados. Maurício Ferraz, ao acompanhar a operação, relatou que as câmeras ficam em postes, árvores e casas: “Neste momento, em algum lugar, algum criminoso tá vendo essa movimentação nossa aqui”.
Veja detalhes:
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