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Política COMÍCIO DE FLÁVIO

Flávio inicia campanha em ato esvaziado em Copacabana com bandeira dos EUA, orações e xingamentos

Em evento no Rio de Janeiro, o candidato criticou Lula, disse que vai tratar CV e PCC como organizações terroristas e fez aceno ao pai, Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado

16/08/2026 às 19h10
Por: Humberto Vital Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO
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Foto: Pedro Kirilos/Estadão
Foto: Pedro Kirilos/Estadão

Com bandeiras dos Estados Unidos e apelos religiosos entre discursos com xingamentos, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) deu o pontapé na campanha ao Planalto neste domingo, 16, no berço do bolsonarismo: o Rio de Janeiro.

O filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) repete a estratégia da campanha do pai em 2022 ao escolher a Orla de Copacabana e Juiz de Fora - viagem prevista para esta segunda-feira, 17 - para as primeiras agendas como candidato. O cenário é o mesmo: apoiadores com camisas da Seleção Brasileira, menções religiosas e bandeiras dos Estados Unidos.

Neste domingo, no entanto, o ato ocupou apenas um quarteirão da Avenida Atlântica, diferentemente dos comícios do pai. O discurso de Flávio se dividiu entre críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e menções ao pai. “Hoje Bolsonaro não pode estar aqui com a gente, como a televisão está transmitindo, quero mandar um recado, um homem de bem, honesto e incorruptível: volta, Bolsonaro”, disse.

“É difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé. E eu estou aqui com toda a humildade, aceitando essa missão que o presidente Bolsonaro me passou porque eu tenho a convicção que há um propósito de Deus pro nosso País”, disse ainda.

Após mencionar o pai, Flávio se emocionou. O discurso foi interrompido para a reprodução de um áudio do ex-presidente: “O patriotismo e a entrega não tem preço. Meus sonhos, minhas senhoras, irmãos cristãos brasileiros, o meu sonho é o sonho de vocês. Nós vamos conseguir esse objetivo. Queremos e é o nosso dever produzir a felicidade”, diz Bolsonaro no áudio.

Vestindo um colete a prova de balas, o candidato atravessou um corredor montado na Avenida Atlântica em direção a um trio elétrico vestindo uma camisa verde e amarela com os dizeres “Meu partido é o Brasil”. Ele estava acompanhado da mulher Fernanda, do candidato ao governo do Estado Douglas Ruas (PL) e da ex-chefe da Caixa no governo Bolsonaro, Daniella Marques. O candidato a vice de Flávio, Alfredo Gaspar (PL), também participa.

Em críticas ao atual governo de Lula, seu principal rival na disputa eleitoral, Flávio disse que “o presidente da República está deixando legado de incompetência e corrupção”. “Lula é o caloteiro da esperança”, disse Flávio, afirmando que “o governo é gastador; consequência é inflação e endividamento”.

Os apelos religiosos estiveram presentes nos discursos do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL), do candidato ao Senado, Carlos Portinho (PL), e ao governo do Estado, Douglas Ruas (PL).

“Vamos tirar do cativeiro Jair Messias Bolsonaro. O crime organizado não quer, mas Deus e o povo brasileiro já decretaram Flávio Bolsonaro presidente do Brasil”, afirmou Gaspar, em meio a críticas ao presidente Lula: “40 mil assassinatos, corrupção e crime organizado. Esse é o legado de Lula e do PT”.

“Mensalão, petrolão e marcolão”

Flávio afirmou ainda que a gestão de Lula foi “marcada pela corrupção”. “É mensalão, é petrolão, é roubo dos aposentados do INSS. Agora é o marcolão. A corrupção e o roubo do INSS chegaram dentro do gabinete do presidente e na República, que é o Lula”.

O candidato do PL retomou pautas caras ao bolsonarismo. Prometeu pautar a discussão sobre castração química para condenados por abusos sexuais, reduzir a maioridade penal e mudar o currículo escolar para que “os jovens não sejam transformados em militantes”.

O senador acrescentou que vai tratar facções do crime organizado, como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. “Vou resgatar soberania do Brasil porque vou tratar PCC, Comando Vermelho e milícia como terroristas.” E voltou a tecer críticas ao governo Lula. “O atual governo briga com País em outro continente, mas não briga com ladrão de celular, não temos soberania sobre nosso próprio celular.” Ele alegou que a gestão de seu pai foi a “última fronteira na defesa pela democracia”.

O próximo presidente eleito terá a prerrogativa de indicar quatro novos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Flávio, ele indicará “homens e mulheres que serão contra o aborto, contra liberação das drogas, que voltarão a respeitar a constituição e darão segurança jurídica ao País”.

Orações e xingamentos

Pouco antes do início do discurso de Flávio, uma candidata a deputada federal do PL puxou xingamentos contra o presidente: “Ei, Lula, vai tomar no c*”.

Em seguida, a organização do ato reproduziu um áudio do pastor Silas Malafaia, em que ele declara apoio a Flávio à Presidência e Douglas Ruas ao Palácio Guanabara.

Nomes que estiveram presentes em toda a campanha de Bolsonaro em 2022, Malafaia e o ex-governador Cláudio Castro (PL) não estiveram no trio elétrico neste domingo. Castro, que é alvo da Polícia Federal, sequer foi citado.

Em seu discurso, Flávio disse que pretende fazer um “tesouraço” no País a partir de 2027. “O Brasil vai vencer porque farei um tesouraço em 2027, com corte de impostos, na burocracia e na corrupção, além de corte nos ‘carguinhos’ do PT que mamam nas tetas do governo”, afirmou.

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