
João Pessoa, capital da Paraíba, ganhou atenção internacional após aparecer em uma matéria da BBC News Brasil que apresenta a cidade como a nova “queridinha” do Nordeste. Antes pouco procurada por turistas, a cidade agora figura em listas de destinos em alta, inclusive ocupando o terceiro lugar em um ranking global da Booking.com. Autoridades locais preveem que a taxa de ocupação hoteleira possa atingir quase 100% até fevereiro, refletindo o interesse de visitantes de várias partes do Brasil e do mundo.
Além dos turistas, João Pessoa vem recebendo milhares de novos moradores. Segundo o Censo 2022, houve aumento de 110 mil habitantes nos últimos 12 anos, o que faz da cidade uma das que mais crescem entre as 20 maiores do país. A construção civil acompanha esse movimento, com prédios de luxo se multiplicando principalmente na orla e em áreas como a Praia de Cabo Branco e Barra de Gramame. O ex-secretário de Turismo, Roberto Brunet, relaciona esse fenômeno à mudança de comportamento após a pandemia. “As pessoas estavam cansadas de repetir os mesmos destinos, e João Pessoa apareceu como uma opção nova e promissora”, diz.
Impactos negativos
O crescimento acelerado, contudo, gera desafios para a qualidade de vida local. O trânsito é um dos maiores problemas. “Estamos experimentando congestionamentos que nunca havíamos visto antes. Em alguns dias, o trânsito leva quase uma hora em percursos que antes eram feitos em 15 minutos”, afirma a professora Adriana Brambilla, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A especulação imobiliária também aumentou os preços, com João Pessoa registrando a segunda maior alta nos valores de imóveis entre as capitais brasileiras em 2024, segundo dados de mercado.
Outro ponto de atenção são os potenciais impactos ambientais na expansão turística, especialmente no Polo Turístico de Cabo Branco. Especialistas avaliam que resorts, parques aquáticos e shopping centers podem afetar manguezais, rios e comunidades de pescadores. Embora a prefeitura busque medidas de sustentabilidade, cresce o debate sobre a melhor forma de conciliar desenvolvimento e preservação do ecossistema.
A capital paraibana atrai não apenas pela beleza de suas praias, mas por uma cena cultural e gastronômica que vem ganhando projeção nas redes sociais. Para quem visita ou decide morar na cidade, a promessa é de qualidade de vida, com um clima ainda sossegado em comparação a outras capitais nordestinas. “A cidade só será boa para o turismo se continuar sendo boa para a população”, observa Brambilla.

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