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Política PREOCUPAÇÃO A VISTA

Aliados de Flávio Bolsonaro temem ‘fator Trump’ na reta final do 1º turno

Aliados mais pragmáticos do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, passaram a nutrir mais uma preocupação nos últimos dias: que o presidente Donald Trump venha a tomar alguma medida contra o Brasil na reta final do primeiro turno

17/09/2026 às 11h48
Por: Humberto Vital Fonte: O GLOBO
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Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca — Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca — Foto: Reprodução

Ainda em estado de alerta com o avanço das investigações em torno do caso “Dark Horse”, aliados mais pragmáticos do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, passaram a nutrir mais uma preocupação nos últimos dias: que o presidente Donald Trump venha a tomar alguma medida contra o Brasil na reta final do primeiro turno, que ocorre no próximo dia 4.

“O ideal seria que o Trump ficasse quietinho até o fim das eleições”, afirmou ao blog um integrante do núcleo duro da campanha de Flávio.

O cálculo da campanha de Flávio é que, por ora, o candidato do PL pode surfar politicamente na crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente por causa da associação entre o governo Lula e o ministro Alexandre de Moraes, que está no centro das discussões sobre a abertura de uma investigação para apurar seus vínculos com Daniel Vorcaro.

Mas, se Trump voltar a agir contra autoridades brasileiras, como já fez em julho do ano passado, aplicando sanções a Moraes e a ministros de Lula, esse jogo pode virar.

A possibilidade de administração Trump voltar a aplicar sanções contra integrantes do Supremo tem sido aventada por bolsonaristas e chegou a ser comentada por Flávio Dino durante a sessão desta terça-feira (15), ao ler reportagem publicada na véspera pelo UOL que afirmava que novas sanções contra os magistrados podem surgir a “qualquer momento”.

“Isto aqui é o tribunal supremo de um país soberano e, portanto, esse ambiente de pressão ilegítima deve constituir alvo da indignação não do tribunal, mas de todos os brasileiros”, disse ele ecoando o discurso de Lula, responsável pela sua indicação à Corte em 2023.

Conforme informou o Metrópoles, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo estão participando nesta semana de uma série de reuniões com integrantes do governo Trump, numa ofensiva para que a Casa Branca retome a aplicação de sanções contra Moraes.

A movimentação tem estressado a ala mais pragmática da campanha bolsonarista, mas internamente o que se diz é que não há muito o que fazer, já que a dupla é considerada “incontrolável”.

Resgate da soberania

No entorno de Flávio, a leitura é a de que uma intervenção de Trump, na forma de sanções contra autoridades ou tarifas contra exportações brasileiras, pode “vitimizar” Alexandre de Moraes, além de servir de munição para Lula resgatar o discurso de defesa da “soberania nacional”.

A meta de Figueiredo e Eduardo é voltar a enquadrar Moraes na Magnitsky Global, lei criada no governo Barack Obama (2009-2017) para punir autoridades estrangeiras violadoras de direitos humanos e que prevê restrições comparadas nos EUA a uma “pena de morte financeira”. Moraes ficou seis meses sob sanções. Ele deixou de figurar no rol de sancionados em dezembro, em meio à distensão das relações entre Brasília e Washington.

Quando ouvidos a respeito da possível volta das sanções por Trump, porém, alguns aliados do candidato do PL minimizam seu impacto. “O tarifaço é sempre problema para o Flávio”, concordou um interlocutor ouvido reservadamente pelo blog. “Mas depois do julgamento do Supremo, dificilmente acredito em empatia da opinião pública a um ministro do STF por sanções dos EUA.”

Entre as restrições da Magnitsky estão a proibição de que empresas americanas realizem qualquer transação ou negociação com os sancionados – o que prejudicaria o acesso do ministro a cartões de crédito, bancos e até mesmo companhias aéreas.

Dino, Moraes e outros integrantes da Corte, como Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o presidente do STF, Edson Fachin, tiveram o visto cancelado há mais de um ano no bojo das retaliações dos EUA.

À época, o secretário de Estados dos EUA, Marco Rubio, justificou a medida alegando que Moraes promove uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, em uma forma de tentar intimidar o Supremo e impedir a condenação do ex-presidente da República na ação penal da trama golpista.

Como se viu, não funcionou: Bolsonaro acabou condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

‘Encontro marcado’

Lula e Trump têm um “encontro marcado” na semana que vem. Os dois discursarão em sequência na abertura da Assembleia-Geral da ONU em 22 de setembro, um ano após o discurso em que Trump elogiou a “excelente química” que teve com Lula na mesma ocasião.

No entorno lulista, petistas lembram que a política comercial agressiva de Trump contra o Canadá, parceiro histórico dos americanos, ajudou a eleger o Partido Liberal, de centro-esquerda, nas eleições de 2025. Além disso, o “fator Trump” alavancou a vitória da esquerda nas eleições da Austrália, também no ano passado. O primeiro-ministro Anthony Albanese, do Partido Trabalhista, foi reeleito, impondo uma derrota a Peter Dutton, alinhado ideologicamente a Trump.

“Trump pode atrapalhar. Se ganharmos ou perdermos, será no detalhe, como foram todas as eleições na América do Sul. Sempre raspando”, disse um integrante da tropa de choque bolsonarista no Congresso.

O programa de governo petista cita a palavra “soberania” 31 vezes e defende “enfrentar as ameaças externas que desconsideram os interesses do povo brasileiro”, ainda que não cite explicitamente nem Trump nem os EUA.

“O governo Trump pode não só ajudar a eleger o Lula, mas reforçar o eixo Brasil-China”, disse à equipe do blog um ministro do governo Lula que pediu para não ser identificado.

Tal como o próprio Moraes e a guerra fratricida do STF, Trump pode ser um fator decisivo numa eleição marcada pela polarização e que se desenha apertadíssima.

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