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Brasil CLIMA DE SETEMBRO

Efeito El Niño: setembro terá chuva e calor acima da média no Brasil

A tendência para setembro, de acordo com os modelos meteorológicos, é de que a chuva seja ainda mais intensa e abrangente pelo Brasil do que foi em julho e agosto, explica Celso Luis de Oliveira Filho, meteorologista da Tempo OK.

01/09/2026 às 07h49
Por: Humberto Vital Fonte: GLOBO RURAL
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Período frio e seco, característico do inverno, começa a ceder espaço para o retorno das chuvas Período frio e seco, característico do inverno, começa a ceder espaço para o retorno das chuvas — Foto: Globo Rural
Período frio e seco, característico do inverno, começa a ceder espaço para o retorno das chuvas Período frio e seco, característico do inverno, começa a ceder espaço para o retorno das chuvas — Foto: Globo Rural

Setembro, que começa nesta terça-feira (1/9), é, historicamente, um mês de transição no clima do Brasil. O período frio e seco, característico do inverno, começa a ceder espaço para o retorno das chuvas, a maior ocorrência de tempestades associadas a ventos fortes e o aumento gradual das temperaturas com a chegada da primavera, no dia 22, às 21h05 (de Brasília).

Em 2026, no entanto, o inverno não seguiu o padrão esperado para a estação. Desde o início, em junho, áreas que não registravam grandes volumes de chuva foram atingidas por temporais. Em outras, mesmo onde a precipitação não era tão intensa, ocorreram enchentes e enxurradas, com prejuízos à infraestrutura urbana e rural.

A tendência para setembro, de acordo com os modelos meteorológicos, é de que a chuva seja ainda mais intensa e abrangente pelo Brasil do que foi em julho e agosto, explica Celso Luis de Oliveira Filho, meteorologista da Tempo OK.

“Os maiores acumulados concentram-se sobre a região Sul, por conta do El Niño, mas a chuva acima da média também será percebida no Sudeste e em partes do Centro-Oeste e do Nordeste. Apenas o Norte tem chuva entre a média e abaixo da média”.

Em relação às temperaturas, a presença da chuva deve provocar oscilações nos termômetros, com máximas acima de 30°C e quedas repentinas em poucas horas, principalmente, no Centro-Sul.

+ Confira como fica o clima na sua cidade

“Isso vem acontecendo pela temperatura do Atlântico mais elevada que o normal, o que está fazendo o oceano evaporar com mais facilidade. O vento, por sua vez, transporta a umidade para o continente. Além disso, temos o El Niño, que tem deixado a atmosfera mais instável e mais propícia à formação de nuvens”, conta.

Em setembro ainda faz frio?

Sim. Apesar da previsão de temperaturas acima da média em grande parte do país, o frio, a principal característica do inverno, ainda estará presente. Nas áreas mais altas da Serra de Santa Catarina, do Paraná e do Rio Grande do Sul, há, inclusive, risco para geadas, reforça o meteorologista Guilherme Borges.

“Não se descarta a ocorrência de alguma onda de frio. Provavelmente, devemos ter uma (onda de frio) no início de setembro, potencializando a entrada de ar frio. A gente vai ter uma continuação de frio, mas não muito intenso”.

 — Foto: Tempo OK

Veja como será o clima em cada região:

SUL

A previsão do tempo indica que o Sul será atingido por volumes elevados de chuva ao longo de setembro, com risco ainda de trovoadas, rajadas de vento e queda de granizo.

“Paraná, Santa Catarina e parte do norte do Rio Grande do Sul receberão acumulados entre 1,5 a 2 vezes mais que o normal, situação que manterá o alerta para transtornos, como transbordamentos e deslizamentos de encostas”, diz Celso Filho.

Com a chuva acima da média, as temperaturas oscilam entre períodos mais curtos de calor e outros mais prolongados de frio, ainda sob influência do inverno. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, os municípios localizados na Serra podem registrar geada.

SUDESTE

Assim como no Sul, a região Sudeste terá chuva acima da média no nono mês do ano, mas com uma diferença: os volumes serão menores. As áreas mais atingidas devem ser São Paulo, Rio de Janeiro e o sul de Minas Gerais, destaca Guilherme Borges.

“O contraste de frentes frias e quentes favorece esse cenário chuvoso e mais concentrado. A gente vai ver muito claro isso no Sudeste”.

Nas temperaturas, o cenário se assemelha ao que é previsto para o Sul, com oscilação entre períodos de frio e calor. No interior de São Paulo e de Minas Gerais, as máximas podem ficar de 3°C a 4°C acima da média.

CENTRO-OESTE

A área que abrange Mato Grosso do Sul, sudoeste e leste de Goiás e o sul de Mato Grosso vai registrar mais chuva pelo fluxo de umidade vindo do Norte.

O calor também estará presente no Centro-Oeste. No leste de Goiás e no norte de Mato Grosso, as temperaturas ficam acima da média. Já no Mato Grosso do Sul, que é mais próximo do Sul e do Sudeste, a previsão indica oscilação nos termômetros.

 NORTE

Diferentemente das outras quatro regiões brasileiras, o Norte tem previsão de chuva abaixo da média. Guilherme Borges pontua que o El Niño começa a exercer um papel mais efetivo e favorece a redução das instabilidades na área entre o Amazonas, o Amapá e o Pará.

O calor deve ser elevado e persistente ao longo do mês. A combinação de temperaturas altas e redução da chuva é perigosa, porque aumenta o risco de queimadas.

NORDESTE

A chuva fica acima da média em áreas da Bahia, Ceará, Piauí e Pernambuco, com possibilidade, inclusive, de ventos fortes. Já no Maranhão, em Alagoas e em Sergipe, a tendência é de volumes abaixo da média.

Em relação às temperaturas, setembro marca o início do chamado B-R-Ó-BRÓ, termo popular utilizado para se referir aos quatro meses mais quentes do ano na região (setembro, outubro, novembro e dezembro). O período se caracteriza por baixos índices de umidade.

Olhando para o agro

Com 93% de probabilidade de o fenômeno El Niño atingir a categoria “muito forte”, na projeção da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), os agricultores estão atentos às mudanças no clima. E, diante das previsões para setembro, os meteorologistas ouvidos pela Globo Rural apontaram cinco impactos – positivos e negativos – para o agro brasileiro:

1.    A chuva intensa e concentrada no Sul, acompanhada de tempestades e ventos fortes, deve deixar o solo muito úmido e prejudicar o plantio de culturas importantes, como a soja no Paraná e o milho de segunda safra no Rio Grande do Sul;

2.    Nas áreas do Sul onde a expectativa é para volumes de chuva menos intensos e frequentes, como na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, será possível avançar no plantio de arroz;

3.    A florada do café pode acontecer antes do previsto devido à chuva acima da média no Sudeste. Já nas lavouras de cana-de-açúcar, o excesso de precipitação pode atrasar a colheita;

4.    A chuva acima da média no Centro-Oeste favorece o plantio da soja a partir deste mês, principalmente, em Mato Grosso do Sul e no sudoeste de Goiás;

5.    A redução do volume de chuva em Alagoas e Sergipe pode antecipar a colheita da cana-de-açúcar se as lavouras estiverem aptas.

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