
O secretário de Estado da Saúde da Paraíba, Ari Reis, afirmou, nesta quinta-feira (16), que o mercado de trabalho para médicos sem especialização está saturado no estado.
A declaração aconteceu durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM, ao comentar a formação de novos profissionais e a necessidade de ampliar as vagas de residência médica.
Segundo o secretário, a realidade já é percebida tanto pela gestão estadual quanto pelos municípios, que passaram a receber grande quantidade de currículos de médicos generalistas.
“Sim, nós chegamos a esse ponto. Isso é um relato tanto da gestão estadual como das gestões municipais”, afirmou.
De acordo com Ari Reis, cidades do interior que antes enfrentavam dificuldades para contratar profissionais da atenção básica agora registram um cenário diferente.
“As unidades básicas de saúde dos municípios do interior antes pagavam altíssimos salários para atrair médicos para trabalhar no PSF. Hoje, o secretário recebe currículo atrás de currículo de médico querendo trabalhar”, disse.
O secretário destacou que a Paraíba conta atualmente com 10 faculdades de Medicina, distribuídas entre Cajazeiras e João Pessoa, o que tem ampliado a oferta de profissionais no mercado.
Apesar do aumento no número de médicos formados, Ari Reis afirmou que a principal preocupação é a qualidade da formação.
Segundo ele, o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação já identificaram falhas na formação médica e, por isso, será implantado um exame nacional ao fim da graduação para avaliar o conhecimento dos futuros profissionais.
“A minha crítica não é à quantidade de médicos que estão se formando, mas à qualidade desses médicos que estão entrando no mercado de trabalho”, declarou.
Como exemplo, Ari citou a solicitação de exames especializados.
“Quando aplicamos filtros técnicos nas solicitações de ressonância magnética, vemos que mais de 60% desses exames não seriam necessários. O médico da atenção básica muitas vezes não está sabendo solicitar corretamente o exame”, afirmou.
Ari Reis também defendeu o fortalecimento dos programas de residência médica para suprir a demanda por especialistas.
Segundo ele, enquanto há excesso de médicos generalistas, diversas especialidades enfrentam escassez de profissionais.
“Hoje o mercado de médicos generalistas está saturado. Em contrapartida, precisamos de anestesistas, neonatologistas, obstetras e ortopedistas. É nesse ponto que está o gargalo da população”, concluiu.

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