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Brasil OPERAÇÃO DISCLOSURE

PF faz operação de busca e apreensão que tem como alvo controlador e ex-conselheiros da Americanas, e executivos de bancos

A operação de hoje é baseada em três delações premiadas (dos ex-diretores Marcelo Nunes, Fabio Abrate e Flávia Carneiro), na quebra de sigilo de dados da Americanas e depoimentos colhidos nos últimos dois anos pela PF e MPF.

25/06/2026 às 11h37
Por: Humberto Vital Fonte: globo.com/blogs/lauro-jardim
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Fachada de loja da Americanas — Foto: Domingos Peixoto/Agência Globo
Fachada de loja da Americanas — Foto: Domingos Peixoto/Agência Globo

Numa operação feita em conjunto com o MPF, a PF deflagrou nesta quinta-feira a segunda fase da Operação Disclosure. O objetivo é "aprofundar as investigações sobre supostas fraudes contábeis estimadas em R$ 54 bilhões" relativas ao escândalo da Americanas.

São nove mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos entre Rio de Janeiro e São Paulo.

A operação de hoje é baseada em três delações premiadas (dos ex-diretores Marcelo Nunes, Fabio Abrate e Flávia Carneiro), na quebra de sigilo de dados da Americanas e depoimentos colhidos nos últimos dois anos pela PF e MPF.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.

Os nove suspeitos, segundo as investigações, teriam conhecimento de fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico na Americanas.

Há indícios dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa.

Eis os alvos da operação:

Carlos Alberto Sicupira (um dos controladores da Americanas), Eduardo Saggioro (integrante do conselho da Americanas), Paulo Alberto Lemann (ex-integrante do conselho e filho do controlador Jorge Paulo Lemann), José Rudge (Itaú), Gustavo Balassiano (Itaú), Carlos Henrique Villela Pedras (Bradesco), Sergio Rial (ex-presidente do Santander e ex-CEO da Americanas), André Almeida (Santander) e Alexandre Abdo (Santander).

Segundo a investigação, "os investigados praticaram um conjunto de manobras fraudulentas que, embora não tivessem impacto direto sobre o lucro líquido divulgado ao mercado, foram estrategicamente planejadas para manipular a percepção dos investidores e influenciar a precificação das ações da companhia. Diferentemente de outras fraudes que poderiam afetar a lucratividade da empresa, esse segundo grupo de irregularidades tinha como foco exclusivo a manipulação do mercado de capitais, alterando métricas e indicadores financeiros sem modificar o resultado final reportado."

(Atualização, às 11h01. A assessoria da Americanas enviou a seguinte nota: "A Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos.")

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