
O ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirma que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está disposto a recompor a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não deve criar dificuldades para avançar até outubro com a PEC do fim da escala 6x1, bandeira que será usada na campanha à reeleição. Alcolumbre foi um dos responsáveis pela derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias, na indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas Guimarães diz que o governo “aprumou o passo” após o revés.
Como o governo vai atuar para que o fim da escala 6x1 avance no Senado?
Aplicamos uma enorme derrota ao bolsonarismo. É o tema que mais terá peso nesse próximo período, mais de 70% da população é favorável. O esforço agora é para votar no Senado, e acho que não vamos ter dificuldade. O Hugo Motta (presidente da Câmara) já conversou com o Davi (Alcolumbre). Nós vamos conversar. Do jeito que está o texto, o ideal seria levar direto para o plenário. Vai depender do Davi, porque a oposição quer retardar.
A relação abalada entre Alcolumbre e o presidente Lula complica o andamento?
Acho que não. Não se pode interditar a discussão de um tema nacional como esse. Eu e o Hugo (Motta) estamos trabalhando para buscar um encaminhamento que permita a votação imediata, sem protelamento no Senado.
O fim da 6x1 impactará nos índices de aprovação?
Nossos levantamentos internos indicam isso. O país todo estava acompanhando. E atinge principalmente mulheres e jovens.
Os críticos da transição curta para a diminuição da jornada dizem que o governo tem objetivos eleitorais…
Tudo que (o governo) faz dizem que é questão eleitoral. Lembre-se, o Bolsonaro disputou a eleição em 2022 e, em agosto, aumentou o Bolsa Família. Eles vão dizer que é eleitoral, mas vamos parar o país? O Flávio Bolsonaro, quando o Messias foi derrotado, falou que o governo acabou. Quebrou a cara. Ele se enrolou no maior escândalo financeiro da história do Brasil. Da derrota do Messias para cá, o governo aprumou o passo nas medidas que tem anunciado.
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Como convencer Alcolumbre, que está chateado com o governo, de colocar a 6x1 direto no plenário?
A política não é feita de chateação e mau olhar. É o diálogo.
Ele está aberto ao diálogo?
Está. Muito. Eu falo com ele quase todo dia.
E como tem sido o tom dele?
Ele diz, reiteradamente: quer sentar com o presidente e recompor a relação. É isso.
O presidente está disposto?
Está avaliando. O presidente teve uma agenda muito frenética nesses dias. Eu vivi todas as campanhas do presidente, mas nessa, em especial, nunca vi tanta coisa para ser mostrada. Essa campanha vai ter três grandes eixos. Um é mostrar tudo que foi feito e que está sendo entregue. Outro é mostrar os temas que fazem parte da conjuntura, em que a 6x1 é a mais relevante. A terceira é a disputa propriamente dita, em que é preciso falar de futuro.
Houve traição do Alcolumbre em relação ao Messias?
Não acompanhei esse processo. Cheguei aqui (no ministério) na véspera da votação no Senado. Apresentei para o presidente uma avaliação. Mas eram os nossos líderes do Senado que estavam comandando.
A decisão dos EUA de classificar CV e PCC como terroristas terá impacto eleitoral?
Não acredito. Essa decisão é uma ameaça à soberania. Ninguém pode invadir o Brasil a pretexto de combater o crime organizado. Por que o governo americano não incluiu nessa classificação os milicianos? Ajudar o Brasil no combate às facções é bem-vindo, mas respeitando as regras e os caminhos do governo brasileiro.
E o que vai ser a disputa sobre o futuro? As pesquisas mostram que existe uma percepção de fadiga de material.
Colocamos o país de pé em todos os indicadores, econômicos e sociais. O que o Flávio Bolsonaro tem a oferecer para o país, a não ser o único predicado dele, de filho do Bolsonaro? Não tem uma ideia sobre nada. Quando deu uma ideia, foi dizer que era contra, que o país ia quebrar, se aprovasse a 6x1. O segundo mandato tem que falar de esperança, além de jogar pesadíssimo em universalizar a escola de tempo integral e avançar mais ainda no combate ao feminicídio.
O senhor acha que é o momento de enviar as indicações do Banco Central?
Se eu pudesse dizer o que nós deveríamos votar no Senado para encerrar tudo (até a eleição), seria: minerais críticos, PEC da Segurança e a 6x1. E evitar a votação das pautas-bomba.
O Gabriel Galípolo no Banco Central foi uma decepção para o governo?
Na minha opinião, não é de governo, é inaceitável esse modelo de taxa de juros que temos no Brasil. O que leva um BC a praticar alta taxa de juros é a inflação alta. Faz três anos que a inflação está sob controle. Esse é um problema que impede o crescimento mais robusto da economia.
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