
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste domingo (22/2), que o Brasil não deseja uma “nova Guerra Fria” na relação com os Estados Unidos e que pretende tratar diretamente com o presidente Donald Trump sobre o futuro do comércio e da parceria diplomática entre os dois países. A declaração foi dada em coletiva de imprensa na Índia, antes do embarque para a Coreia do Sul.
Segundo Lula, a pauta do encontro com o norte-americano é mais ampla do que a discussão sobre minerais críticos ou tarifas comerciais. “Nós temos uma relação diplomática de 201 anos. É uma relação muito sólida. O que eu quero conversar com o Trump é a relação entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou. O presidente disse esperar que, após a reunião, prevista para março, os dois países voltem a ter uma relação “altamente civilizada, altamente respeitosa”.
Lula defendeu tratamento igualitário nas relações internacionais. “Nós queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário”, declarou. Para ele, se esse princípio for respeitado, “tudo voltará à normalidade”.
Ao comentar a derrubada de tarifas impostas anteriormente pelos Estados Unidos, Lula afirmou que houve um alívio para países que enfrentavam sobretaxas de 40% e 50%. “Agora, para todo mundo vai ser 15%”, disse. O presidente também ressaltou que não cabe ao chefe de Estado brasileiro julgar decisões da Suprema Corte norte-americana. “Não tem como um presidente de outro país julgar a decisão da Suprema Corte. Alguém recorreu, a Corte tomou a decisão. Certamente, ele já tomou novas medidas, alguém vai recorrer, vai ter outra decisão”, ponderou.
Ainda assim, Lula avaliou que a conversa direta com Trump pode restabelecer a normalidade na relação bilateral. “Eles têm interesse, nós temos interesse. Se taxar alguns produtos nossos vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano. Ele já sabe disso”, afirmou.
O presidente disse que o governo brasileiro tem agido com cautela diante das tensões comerciais. “Eu tenho na minha cabeça a ideia de não tomar nenhuma decisão quando eu estou com 39 ºC de febre. Tem que esperar a febre passar para a gente tomar a decisão”, declarou. Segundo ele, parte das medidas já havia sido revista pelo próprio governo norte-americano antes da recente decisão judicial que contrariou a tese defendida por Trump.
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