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Brasil LULA VOLTA A BELÉM

'Nunca vi um presidente voltar para a reta final': analistas elogiam retorno de Lula a Belém, mas aguardam resultados

Participação foge muito do padrão da conferência e é um impulso político essencial para destravar os 'road maps' ambicionados, dizem especialistas

20/11/2025 às 10h37
Por: Humberto Vital Fonte: O GLOBO
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Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

Determinado a alcançar resultados concretos na COP 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve agenda extensa de reuniões com ministros, representantes de países, da sociedade civil e empresários em Belém na quarta-feira. Esse envolvimento ativo de um presidente do país sede nas negociações da COP não chega a ser inédito, pois Françoise Hollande teve postura assim na COP 21, na França, que culminou no Acordo de Paris. A participação de Lula, porém, foge muito do padrão da conferência e é um impulso político essencial para destravar os "road maps", ou mapas de caminho, ambicionados, dizem especialistas.

Além de Hollande, Boris Johnson chegou a atuar em algumas negociações na COP de Glasglow, em 2021, lembra Claudio, coordenador de política internacional do Observatório do Clima. Além desses, é difícil ter outros exemplos.

-- Não é um padrão. Tem muito a ver com o fato de ser uma agenda importante para ele, é o maior evento internacional do seu atual mandato. E ele só não estará aqui no encerramento porque precisa ir para o G20 na África do Sul — explicou Ângelo.

O especialista diz que a presença de Lula nessa quarta foi um impulso político essencial para as negociações e que se houver algum mapa de caminho anunciado se deverá "exclusivamente" à participação do presidente.

— Ele deu o primeiro impulso na Cúpula de Líderes e agora veio aqui fazer uma recarga dessa bateria política da negociação. Não é que ajuda, é que vai fazer a diferença. Se a gente sair daqui com o mapa de caminho para o desmatamento, vai se dever exclusivamente à presença do Lula — afirmou Ângelo. — Essa segunda semana tem muitos diplomatas nas reuniões, que levam o assunto para os ministros, que então ligam para o presidente para decidir. Com o Lula aqui, ele está poupando telefonemas. É um envolvimento com potencial de destravar acordos.

Na COP de Paris, Hollande estava presente do início ao fim das reuniões, participando do evento quase que diariamente. Para Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima, o contexto em que um presidente retorna à conferência depois de participar da abertura somente para resolver acordos é uma postura inédita.

-- Nunca vi um presidente voltar para a reta final. E o Lula não veio à toa, ele veio para dar impulso político, para conseguir fechar os acordos necessários, o que é muito positivo. Foge de um script e é muito bem-vindo. A coisa mais importante que a gente precisa entregar não só não está na agenda, como divide muitos países (caminho de afastamento dos combustíveis fósseis), então para sair o road map precisa do impulso político que o presidente está dando.

Para Alexandre Prado, líder em mudanças climáticas do WWF-Brasil, que também só lembra de algum paralelo na COP de Paris, o movimento de Lula mostra a importância que o tema tem para o governo.

-- Esse sinal que o Lula traz, vindo aqui, e fazendo essa movimentação, fazendo a negociação para si, então assumindo responsabilidade sobre o resultado que vai sair, é um engajamento político significativo. É muito relevante e tem que ser valorizado.

Já Caio Victor Vieira, especialista do Instituto Talanoa, think tank dedicado à política climática, diz que o movimento de Lula era esperado, considerando o que ele mesmo propõe. Mais do que sua presença, o importante, diz, é verificar se os mapas de caminho e outras metas serão de fato acordados ao final da COP 30.

-- A gente tem que julgar se a presença dele vai mudar ou não alguma coisa com três resultados. O primeiro é um mapa do caminho para os combustíveis fósseis. O segundo é se os indicadores do objetivo global de adaptação forem tomados. E três, se houver alguma meta de triplicar o financiamento para a adaptação for adotado aqui. A presença dele ou não é menos importante do que a decisão final de para onde é que o mundo vai caminhar na ação climática.

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