
O ex-prefeito de Araraquara Edinho Silva foi eleito, nesta segunda-feira, presidente nacional do PT. A apuração ainda não foi concluída, mas a vantagem de 73,48% dos 342,2 mil votos contabilizados permite cravar sua vitória, segundo o atual presidente da legenda, senador Humberto Costa (PE). Na parcial, o deputado Rui Falcão aparece em segundo lugar, com 11,15% dos votos, seguido por Romênio Pereira, com 11,06%, e Valter Pomar, com 4,3%.
A eleição de Edinho ocorre mesmo sem a votação em Minas Gerais, terceiro maior colégio eleitoral do partido. O diretório mineiro teve o pleito adiado após uma disputa judicial entre as chapas e irá às urnas no próximo domingo. Também falta apurar votos de outros estados, como Pernambuco, Bahia, Paraná e Rio de Janeiro. A previsão é de que mais de 400 mil filiados petistas participem do processo.
Em seu primeiro pronunciamento como presidente da legenda, Edinho agradeceu o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a união em torno de sua candidatura, incluindo os adversários na disputa interna.
— Quero fazer um agradecimento público à confiança do presidente Lula, que me empenharei todos os dias para honrá-la. Meu trabalho será pela união do PT — afirmou.
Ele também ressaltou o compromisso com a reeleição de Lula em 2026, a luta contra o “fascismo” e defendeu a construção de um campo democrático amplo em torno da candidatura do presidente. Outro desafio elencado pelo novo dirigente é a necessidade de melhorar a comunicação do partido e reformular o programa interno.
A vitória de Edinho consolida a força de um grupo mais alinhado à estratégia de ampliação de alianças, com maior abertura ao diálogo com partidos de centro e centro-direita — movimento já visível nas disputas estaduais. Dos 16 presidentes estaduais definidos até agora, ao menos 11 seguem esse perfil.
Nos bastidores, a escolha de Edinho enfrentou resistências. A então presidente do PT, Gleisi Hoffmann, não era entusiasta de sua candidatura. O clima só começou a se pacificar após sua acomodação na chefia da articulação política do governo Lula. Com a ida de Gleisi para a Secretaria de Relações Institucionais, os ânimos no partido se acalmaram, e a resistência a Edinho arrefeceu. Nesta segunda-feira, o novo presidente elogiou Gleisi, classificando-a como a maior dirigente da história do PT por sua atuação durante a Lava-Jato e o período de prisão de Lula.
Outro movimento importante foi a desistência da candidatura do vice-presidente nacional do partido, Washington Quaquá, aliado de Lula no Rio de Janeiro. Segundo interlocutores da cúpula petista, a retirada de seu nome ocorreu após um acordo que garantiria a permanência de Gleide Andrade na secretaria de Finanças do partido — gesto interpretado como sinal de continuidade e apaziguamento interno. Gleide esteve presente no pronunciamento de Edinho.
Edinho começou sua trajetória política no movimento estudantil e se consolidou como liderança no interior paulista. Foi deputado estadual por dois mandatos e, em 2005, assumiu a presidência do PT de São Paulo. Ganhou projeção nacional como tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2014 e, no ano seguinte, foi nomeado ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, cargo que ocupou até o afastamento da petista, em 2016.
Prefeito eleito e reeleito de Araraquara (SP), adotou medidas rígidas de combate à Covid-19 e protagonizou embates com lideranças nacionais, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com perfil conciliador, Edinho é considerado um nome capaz de articular alianças para 2026 e liderar uma nova fase do PT, mais voltada à composição política e ao diálogo com o centro. Sua candidatura foi construída desde o ano passado, com participação direta do presidente Lula.
O novo presidente assume em meio a um cenário de desgaste com partidos do Centrão, como PP e União Brasil. Apesar de ocuparem ministérios no governo Lula, ambas as siglas vêm sinalizando aproximação com candidaturas bolsonaristas em 2026.
A recente derrubada, pelo Congresso, do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) levou a uma mudança na estratégia do governo e do PT, que passaram a intensificar a defesa da taxação dos super-ricos nas redes sociais, tentando acirrar o contraste com o Parlamento. Paralelamente, influenciadores de esquerda iniciaram ataques ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), elevando o tom da polarização.
— O governo reagiu a uma derrota que foi imposta. Não tinha outra saída a não ser debater com a sociedade. Um governo que manda uma mensagem ao Congresso já tinha essa posição. O governo precisa defender suas convicções diante de uma derrota imposta pelo Congresso Nacional. Isso não é contraditório — afirmou Edinho.
Apesar das tensões, Edinho defende que o governo mantenha o diálogo com setores que não votaram em Lula em 2022. Para ele, reagir à postura do Congresso não impede a construção de pontes.
— Não penso que a reação do governo diante da imposição de uma derrota por parte do Congresso seja contraditória ao diálogo. No momento em que um projeto é colocado em votação sem que se abra negociação, evidentemente o governo não tem outro caminho a não ser reagir — disse.
Durante os sete anos de Gleisi Hoffmann à frente do PT (2017–2025), o partido adotou uma postura mais combativa. A atual ministra das Relações Institucionais liderou a legenda durante a prisão de Lula e todo o governo Bolsonaro. Aliados veem uma mudança de estilo com Edinho, que, como prefeito, manteve boa relação até mesmo com o então governador de São Paulo, João Doria (PSDB), um dos principais opositores do PT na época.
A primeira tarefa do novo presidente será a articulação dos palanques estaduais para a reeleição de Lula. A aposta é que os acordos regionais compensem o afastamento de setores do Centrão e ajudem a garantir, ao menos, a neutralidade de siglas como MDB e PSD no plano federal. Alianças com nomes como Renan Filho (MDB), em Alagoas, e Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro, já são dadas como certas.
Edinho também diverge publicamente de Gleisi sobre o tom do enfrentamento político. Enquanto a atual ministra apostava em uma linha dura, ele defende a redução da temperatura da polarização. Após a vitória de Lula em 2022, chegou a sugerir que o presidente posasse para uma foto ao lado de Bolsonaro.
Com o novo comando, cresce a expectativa de que o partido se alinhe mais ao Palácio do Planalto. Durante a gestão Gleisi, o PT chegou a fazer críticas públicas à política econômica conduzida por Fernando Haddad. Edinho, ao contrário, é aliado próximo do ministro da Fazenda.
— Vai ser uma gestão mais governista do que a da Gleisi. Pela experiência dele como prefeito e como presidente do PT de São Paulo, vai saber ouvir internamente para preparar a campanha de reeleição do presidente Lula — avalia o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), secretário de Comunicação da sigla.
Esse perfil, porém, tende a gerar resistências na ala mais à esquerda do partido, que prega independência em relação ao governo. Essa é uma das principais diferenças entre Edinho e seus três adversários na disputa, agora derrotados: o ex-presidente do PT Rui Falcão (SP), o secretário de Relações Internacionais Romênio Pereira e o historiador Valter Pomar, membro do diretório nacional.
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