
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar nesta quinta-feira (6) o presidente americano Donald Trump pelas investidas na Faixa de Gaza.
Lula repudiou as declarações do republicano sobre os Estados Unidos assumirem o controle da região. E afirmou que "Trump não foi eleito para mandar no mundo" (leia mais abaixo).
Sem citar o bilionário Elon Musk, que ocupa um cargo no alto escalão do governo americano, Lula também afirmou que é um erro permitir que um empresário seja dono da comunicação do mundo.
"O que não pode é a gente achar que um empresário pode ser dono da comunicação do mundo e pode ficar falando mal de todo mundo a toda hora. Se metendo nas eleições de cada país", afirmou.
"Os Estados Unidos a vida inteira passou a ideia para o mundo de que era o símbolo da democracia, passou a ideia de que os Estados Unidos era o xerife do mundo. E, de repente, elege um presidente da República que todo dia faz questão de dizer uma anomalia", disse Lula.
"Um dia ele vai ocupar o Canal do Panamá, outro dia ele vai ocupar a Groelândia, outro dia ele vai anexar o Canadá, outro dia ele vai tratar o povo palestino como se o povo palestino não fosse ninguém, ou seja, quando, na verdade, o que precisa fazer na Palestina é criar o Estado Palestino e dar decência ao povo palestino que não pode ser tratado como lixo", prosseguiu.
O presidente argumentou que não se pode governar "fazendo provocações a todo mundo a todo tempo". E se definiu como um defensor da democracia.
Lula também destacou a necessidade de selar a paz na região. "O que nós estamos precisando é um pouco de humanismo, é um pouco de fraternidade, um pouco de solidariedade, um pouco de compreensão que somente com muita paz o mundo pode viver tranquilo", justificou.
Lula acrescentou que a fala de Trump sobre transformar a Faixa de Gaza em uma "Riviera" foi equivocada. E reforçou sua ideia de que a guerra na região é, na verdade, um genocídio.
"Tentar normalizar essas coisas e tirar os palestinos, falar: vamos ocupar e fazer um lugar bonito lá, não. Ninguém vai fazer um lugar bonito em cima de milhares de cadáveres de mulher e de criança", ponderou.
Mesmo diante das críticas, Lula frisou que respeita a eleição do presidente americano.
"Ele [Trump] foi eleito presidente da República pelo povo americano, portanto, ele tem todo o meu respeito para governar os Estados Unidos, para manter relações democráticas e civilizadas com o restante do mundo. Ele não foi eleito para mandar no mundo. Ele foi eleito para governar os Estados Unidos", emendou.
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