O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse, em entrevista exclusiva à Folha, a primeira a um veículo de imprensa brasileiro desde a fuga, que nem ele nem Lula podem afirmar, com 100% de certeza, quem foi eleito presidente do Brasil. Ele admite não ter provas de fraudes nas eleições deste ano, mas diz que esse é um assunto proibido de ser investigado no país.
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, atestou a lisura das eleições 2026 e afirmou ter "absoluta segurança do processo eleitoral".
O ex-presidenciável afirma que o PL, seu partido, pedirá a cassação da chapa Lula/Alckmin por abuso de poder econômico, com base nas medidas tomadas ou prometidas pelo governo durante a campanha, como aumento do Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e o repasse de um Pix de R$ 5.000 para MEIs (microempreendedores individuais).
Na avaliação de Flávio, o Brasil não vive uma democracia plena, porque não há liberdade de manifestação. Está tudo "dominado" pelo governo, diz ele, inclusive o TSE. Kassio Nunes Marques e o vice André Mendonça foram indicados por Jair Bolsonaro.
Ele argumenta ter saído do país para "não legitimar processo ditatorial comandado pelo [ministro do STF] Alexandre de Moraes."
Na entrevista, o senador abandonou o tom mais moderado ensaiado na campanha e retomou o estilo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro: reproduziu teorias conspiratórias e discursos golpistas, defendeu o voto impresso e acusou o governo Lula (PT) de ter um projeto "comunista".
O senador se recusa a falar sobre o plano de fuga ou de quem ajudou ou financiou sua saída do Brasil. Não decidiu ainda em que estado vai morar com a família, diz estar vivendo de reservas financeiras e afirma que gostaria de estar no Brasil. Mas, segundo ele, não pretende "cometer o mesmo erro" que o pai, que voltou ao país em 2023, após três meses na Flórida, e acabou preso pouco mais de dois anos depois.
Sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que admitiu disputar a Presidência em 2030, Flávio responde que "todo mundo tem o direito de se colocar como candidato". Afirma que, se seu partido concordar, também pretende concorrer. Mas, se Jair Bolsonaro retomar seus direitos políticos, será ele o candidato, de acordo com o senador.
A entrevista aconteceu na tarde desta quinta-feira (5) em um espaço de coworking em Miami. Foi acompanhada pelo aliado de Flávio e comentarista político Paulo Figueiredo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro participava de um evento da Cpac (Conferência de Ação Política Conservadora) em Mar-a-Lago, para onde o irmão foi à noite.