O Senado do Paraguai aprovou, por unanimidade, o impeachment do presidente Santiago Peña nesta sexta-feira, interrompendo de forma precoce o governo do ex-economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), de 47 anos, que vinha se apresentando como líderes da direita sul-americana.
A decisão, na prática, afasta Peña do cargo e suspende todas as garantias constitucionais às quais teria direito se tivesse concluído o mandato ou renunciado, como uma cadeira vitalícia no Senado e foro privilegiado. A promotoria pediu a prisão do presidente pelo caso ligado à quebra do Ueno Bank pouco após a decisão no Legislativo.
Os advogados do agora ex-presidente afirmaram que vão contestar o julgamento político na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), alegando nulidades na condução do processo.
A derrocada política de Peña foi consumada pouco mais de 24 horas após a abertura do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados, e três dias depois da quebra do Ueno Bank — banco digital do qual o presidente foi acionista até o ano passado, e onde foram depositados US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões no câmbio atual) em fundos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Quase 40% da população paraguaia tinha contas na instituição bancária e, após intervenção do Banco Central pelo alto índice de insolvência da instituição financeira (inferior a 50%), ficaram sem acesso a seus valores.
Senado do Paraguai começa analisar impeachment contra presidente Santiago Peña. Foto: Daniel Duarte/DANIEL DUARTE