Política REP DIZ NÃO AO PL
Republicanos recusa compor chapa com Flávio e formaliza independência na eleição presidencial
Decisão afunila opções para vice e empurra PL para uma chapa ‘puro sangue’; federação PP-União Brasil também rejeitou aliança
04/08/2026 04h13
Por: Humberto Vital Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO
Marcos Pereira, presidente do Republicanos

O Republicanos recusou, nesta segunda-feira, 3, o convite para compor aliança e indicar a candidata a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. A decisão foi comunicada pelo presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, ao partido dos Bolsonaros e será formalizada na convenção nacional da legenda nesta terça-feira. O PL trabalhava para ter Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, como vice.

Como antecipou a Coluna do Estadão, numa reunião com Flávio, o coordenador de sua campanha ao Planalto, senador Rogério Marinho (PL-RN) e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Pereira apresentou o resultado de uma consulta realizada junto a todos os diretórios estaduais do partido. O levantamento constatou que a maioria absoluta dos diretórios — 17 deles — optou pelo caminho da independência institucional no pleito nacional.

Nove unidades da Federação manifestaram preferência por Flávio Bolsonaro. ​Entre estas está São Paulo, maior colégio eleitoral do País, comandado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição.

​Apenas em um Estado, Pernambuco, o Republicanos defendeu fechar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O apoio ao petista inclusive já foi anunciado pelo comando local da legenda.

Na conversa com a equipe de Flávio, Marcos Pereira disse que não se trata de omissão, nem representa ausência de princípios ou de posicionamento político do partido Para ele, a neutralidade é necessária por reconhecer a realidade de uma legenda que cresceu de forma expressiva em todas as unidades da federação e que precisa respeitar os acordos locais.

 

Além disso, ele destacou que a prioridade agora é eleger mais deputados federais e senadores, para fortalecer sua representação no Congresso Nacional, ter mais peso nas votações e ajudar na governabilidade.

Como mostrou a Coluna, nos bastidores, a cúpula do Republicanos coleciona mágoas dos Bolsonaros. Além disso, não vê nenhuma vantagem em entrar em bola dividida numa eleição tão radicalizada.

Decisão sobre o segundo turno não está em discussão ainda

​O partido prepara uma nota conjunta das Executivas nacional, estaduais e das bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, para anunciar publicamente a decisão.

​No texto, a legenda vai reiterar seu compromisso com pautas institucionais e econômicas, destacar a defesa da democracia, da liberdade, da responsabilidade fiscal, da segurança jurídica, da família e do desenvolvimento econômico e social.

Também vai reforçar que a decisão é resultado de “um processo coletivo, transparente e democrático”, que respeita a diversidade de um partido de dimensão nacional sem abrir mão de sua unidade e de sua responsabilidade com o Brasil.

Por ora não está em discussão como o partido vai se posicionar no eventual segundo turno da corrida ao Planalto.

As opções para vice na chapa de Flávio Bolsonaro ficam cada vez mais limitadas. O PP, um dos principais partidos do Centrão, virou as costas para o senador e anunciou na última sexta-feira, 31, que manterá neutralidade na disputa presidencial.

A decisãofrustrou os planos do senador de ter a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice e de ampliar o tempo de rádio e TV de sua campanha.Lideranças do PP afirmam que a decisão de rejeitar uma aliança com Flávio Bolsonaro decorre da estratégia eleitoral da legenda. O objetivo do Progressistas é, ao lado do União Brasil, com quem forma uma federação, eleger a maior bancada da Câmara.

O PL ainda tenta diálogo com o Podemos. Convidada para compor como vice a chapa, a presidente nacional da legenda, Renata Abreu, deixou nas mãos da Executiva Nacional da legenda a decisão. O colegiado tem até quarta-feira, 5, para bater o martelo.

O Podemos, entretanto, tem situação similar ao do Republicanos. Tem como meta ampliar sua bancada no Congresso e possui arranjos locais heterogêneos, o que pressiona a sigla para a neutralidade.

Se confirmado esse quadro, restará a Flávio uma chapa puro sangue do PL. O que, consequentemente, gera risco de ter o viés bolsonarista mais radical incrustrado na campanha do filho “Zero Um” de Jair Bolsonaro.