Política CONVENÇÃO DE CAIADO
Caiado se lança ao Planalto e chama Lula e Flávio de ‘maiores rejeitados da política nacional’
Nome do PSD à Presidência diz que Flávio é candidato ‘escolhido pelo Lula’, cita rachadinhas, escândalo do Master e Mensalão e diz que ‘quem rouba com a mão esquerda ou com a mão direita é ladrão’
26/07/2026 16h44
Por: Humberto Vital Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO
Gilberto Kassab, Aldo Rebelo e Ronaldo Caiado na convenção do Partido Social Democrático (PSD) que lançou a candidatura de Caiado à Presidência da República. Foto: Taba Benedicto/Estadão

“Não é possível que o Brasil vai querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional”, disse o ex-governador de Goiás. “Me dê a chance, povo brasileiro, porque eu vou bater o Lula e nós vamos criar um país diferente e devolver o Brasil aos brasileiros de bem”, discursou Caiado à militância do PSD.

Caiado ainda afirmou que Flávio é o candidato “escolhido pelo Lula” para disputar o segundo turno. “Quem rouba com a mão esquerda ou com a mão direita é ladrão”, acrescentou.

Em outro momento, o candidato do PSD disse que o filho de Jair Bolsonaro (PL) é “frango de granja” e depende do pai para guiar sua vida política. “Qualquer coisa fala assim ‘chama o papai, vou ler uma carta dele’. Não, o Caiado, é galo de terreiro. Sou acostumado na briga”, discursou.

Em uma entrevista coletiva antes do início da convenção, ele disse que Flávio e Lula, que estão na frente nas pesquisas de intenção de voto, dependem de brigas e “crises inúteis” para alimentarem suas candidaturas e desviam o foco daquilo que realmente interessa à sociedade brasileira.

O petista, segundo ele, busca provocar o presidente dos EUA, Donald Trump, com esse objetivo, enquanto o lado de Flávio insulta autoridades. “Um se retroalimenta da vaidade do outro”, afirmou.

“Para governar o país, precisa muito de independência moral e coragem pessoal. Coragem para poder, amanhã, libertar o País do sequestro do PT e das facções. De não ter um candidato que seja um ‘Kinder Ovo’, com uma surpresinha todo dia”, afirmou Caiado, em relação a Flávio. Ele mencionou escândalos que envolvem seus rivais, como rachadinha, Mensalão, Petrolão, escândalo do Master e os desvios no INSS.

Para Caiado, a direita não pode colocar alguém no segundo turno “que tenha tanto o que explicar da sua vida” e não tenha tempo de defender os interesses da população. “E hoje está aí às voltas com tantas denúncias em sua curta trajetória”, afirmou em seu discurso.

Inicialmente, Caiado evitou criticar Flávio, mesmo após a publicação do áudio em que o senador pede dinheiro ao ex-dono do Master, Daniel Vorcaro. Recentemente, contudo, o ex-governador mudou o tom e passou a apontar discordâncias sobre o modo como o pré-candidato do PL atuou no mais recente tarifaço aplicado pelo governo Trump ao Brasil e também por Flávio ter colocado em dúvida a segurança das urnas eletrônicas.

O governador do RS, Eduardo Leite (à direita na foto), disputou com Caiado a candidatura à Presidência, mas marcou presença no evento em apoio ao colega de partido Foto: Taba Benedicto/Estadadão

Ratinho Jr. e Eduardo Leite marcam apoio a Caiado

Caiado trocou o União Brasil pelo PSD no início do ano para ser candidato. Na nova sigla, enfrentou a concorrência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, que era o favorito, mas acabou desistindo da candidatura, e do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Apesar da disputa, Leite e Ratinho Jr. participaram da convenção e declararam apoio a Caiado, assim como o pré-candidato do Distrito Federal, José Roberto Arruda. O candidato presidencial, porém, não é unanimidade no partido.

Governadores de Pernambuco, Raquel Lyra, e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, não compareceram – eles apoiam a reeleição de Lula. Mateus Simões, governador aliado de Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais, foi outro desfalque.

O principal ruído, no entanto, foi a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Kassab chegou a confirmar a presença dele, mas a publicação de uma montagem em que Tarcísio aparece ao lado de Caiado, azedou o clima, como antecipou o Estadão.

Kassab minimizou o episódio e disse que em São Paulo e nos outros estados o PSD terá uma estrutura de campanha que pedirá votos para Caiado, mesmo que os candidatos locais estejam com Lula, Flávio ou Zema.

Uma surpresa no ato foi a presença do ex-ministro Aldo Rebelo, que foi contemporâneo de Caiado no Congresso Nacional. Rebelo trava uma disputa na Justiça para ser candidato a presidente pelo DC.

Deputado federal por cinco mandatos, senador e duas vezes governador de Goiás, Ronaldo Caiado volta a disputar a presidência da República. Na primeira tentativa, em 1989, teve menos de 1% dos votos.