
A convenção nacional do Partido Liberal (PL) oficializou, neste sábado (25/7), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Sem anunciar candidato a vice e nem apresentar novas alianças nacionais para a disputa de 2026, o parlamentar foi lançado em um evento marcado pela centralidade da figura do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O encontro também contou com fortes críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), discursos em defesa de pautas ligadas à segurança pública, manifestações religiosas e mensagens de apoio de lideranças nacionais e internacionais, entre elas o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Flávio Bolsonaro iniciou seu discurso agradecendo aos presentes e pedindo força para que pudesse "resgatar" o país.
"Peço a Deus sabedoria e força para resgatar o Brasil."
Em seguida, prestou homenagem ao pai e à ex-primeira-dama: "Minha saudação aos que não podem estar presentes aqui hoje, em especial, a Michelle, e ao meu pai, Bolsonaro", disse, antes de definir o ex-presidente como "o maior e mais injustiçado líder brasileiro, vítima da maior farsa que esse país já presenciou."
O senador também destacou o peso político de carregar o sobrenome Bolsonaro. "Sei exatamente o tamanho da responsabilidade que meu nome carrega: filho mais velho do capitão que deu voz a milhares de brasileiros, um país que não aguenta mais ser refém do medo", afirmou.
Em outro momento, dirigiu-se diretamente ao pai: "Pai, vou te honrar. Você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem." Ao longo do discurso, criticou o Judiciário e voltou a mencionar os presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Além do protagonismo de Bolsonaro, a convenção deu espaço a convidados internacionais. O presidente argentino Javier Milei foi um dos participantes mais aplaudidos e concentrou sua fala em críticas ao socialismo e ao governo Lula.
"Um grande prazer estar nesse país com especial importância em tempos como esses", declarou. Em seguida, continuou: "Não queremos que outros padeçam, parte de nossa missão é advertir outras nações para que mudem a tempo."
Milei disse ainda que tem percorrido outros países para falar "contra as mentiras do socialismo", criticou a condução da economia brasileira e afirmou que "Lula não resolveu o ajuste fiscal e está piorando a economia do país".
O argentino também declarou que "quando perdem, a direita tem que resolver todos os problemas causados pela esquerda" e fez referência ao ex-presidente brasileiro ao dizer: "Voltaremos a dar um abraço."
Quem também foi alvo do presidente foi o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Milei, que foi impedido por Moraes de encontrar Jair Bolsonaro, que encontra-se em prisão domiciliar, chamou o ministro de "lixo careca"
Embora impedido por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, de realizar manifestações políticas, Jair Bolsonaro esteve presente simbolicamente ao longo de toda a convenção. Além de ser citado por praticamente todos os oradores, o ex-presidente apareceu em um vídeo produzido com inteligência artificial.
Na gravação, a voz sintetizada esclarece: "Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial". Em seguida, a mensagem afirma: "Estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz."
Durante toda a fala do "pai", Flávio aparentou estar emocionado.
A ausência de Bolsonaro também foi tema da mensagem gravada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, exibida durante o evento. Ela explicou que permaneceu ao lado do marido durante sua recuperação e afirmou que sua ausência carregava um significado político.
"Hoje é justamente porque ele não pode estar aí, sua ausência fala muito mais alto. Ela carrega a força de mais de 58 milhões de brasileiros que depositaram nele sua confiança e continuam acreditando no Brasil que ele representa", declarou.
Em outro trecho, acrescentou que seu "galego" não estaria presente fisicamente, mas que o coração estaria junto aos eleitores. "O meu galego não pode estar com vocês. Eu também não posso, porque estou em casa cuidando dele. Mas os nossos corações estão aí, sentindo a mesma energia que nós dois tantas vezes encontramos nos eventos do PL Mulher por todo o Brasil."
Michelle também direcionou parte de seu discurso ao eleitorado feminino, defendendo uma participação mais ampla das mulheres na política. "Somos 53% do eleitorado. Chegou a hora de vocês ocuparem os lugares em todos os espaços onde o futuro do Brasil é decidido", afirmou.
Ao encerrar a gravação, desejou sucesso ao senador: "Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura. Que ele te dê sabedoria, coragem e força — a você e à sua família — para cumprir esta missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece."
Outra participação internacional ocorreu por meio de um vídeo enviado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apresentado como uma das "surpresas" preparadas para Flávio Bolsonaro durante a convenção. Na gravação, o premiê dirigiu-se diretamente ao senador: "Flávio, meu amigo, quero parabenizá-lo pelo lançamento oficial da sua candidatura."
A mensagem ocorre em um contexto de aproximação entre lideranças do bolsonarismo e autoridades israelenses, fortalecida nos últimos anos.
A última surpresa exibida no telão foi uma mensagem do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), gravada ao lado do deputado Domingos Sávio (PL-MG) e do empresário Flávio Roscoe, pré-candidato do partido ao Senado por Minas Gerais. O parlamentar afirmou que pretendia participar presencialmente da convenção, mas declarou apoio ao senador e ressaltou a importância eleitoral do estado.
"Venho deixar um recado para vocês: nós já vencemos uma vez e a gente vai vencer de novo. A gente está fechado com o Flávio, toda a nossa base de Minas Gerais também. A gente sabe que Minas Gerais é um estado-chave, quem ganha aqui ganha no Brasil."
Em seguida, defendeu que uma eventual vitória do senador representaria o retorno da direita ao Palácio do Planalto e uma forma de "fazer justiça" aos presos pelos atos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da demonstração de força do PL, Flávio Bolsonaro chega à disputa presidencial sem um candidato a vice definido e sem alianças nacionais formalizadas. A tendência, segundo as articulações políticas em curso, é que partidos como PP, União Brasil e Republicanos mantenham posição de neutralidade na eleição presidencial, permitindo que seus diretórios estaduais definam livremente os palanques que apoiarão.
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