
O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, anunciará nesta quarta-feira o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como candidato a vice em sua chapa ao Palácio do Planalto. A informação foi confirmada ao GLOBO por três interlocutores da pré-campanha. Kassab também informou a aliados que aceitou o convite para integrar a composição. A dificuldade para atrair outros partidos para aliança acabou forçando a composição de uma chapa pura.
Caiado e Kassab se reúnem nesta terça-feira, em São Paulo, para acertar os últimos detalhes da chapa e discutir a estratégia eleitoral para os próximos meses. A oficialização ocorrerá na quarta-feira, em Brasília, em evento convocado pelo ex-governador.
Na segunda-feira, Caiado manteve o suspense ao ser questionado sobre quem ocuparia a vaga de vice, mas sinalizou que a decisão já estava tomada.
— Quarta-feira, em Brasília, vocês vão ver quem será o vice. Nós apresentaremos quem irá compor a nossa chapa. A curiosidade permanece — afirmou.
A definição encerra semanas de negociações dentro do PSD. Embora dirigentes tenham discutido a possibilidade de buscar um nome de outra legenda para ampliar o arco de alianças, ganhou força entre integrantes da cúpula a avaliação de que Kassab reunia mais condições de fortalecer a candidatura neste momento.
A decisão representa também uma mudança de estratégia. Desde o lançamento da pré-campanha, aliados de Caiado defendiam buscar um vice fora do PSD, sobretudo no União Brasil e, em um segundo momento, no PP. A aposta era ampliar o tempo de televisão, aumentar a estrutura partidária da candidatura e atrair novos aliados antes das convenções.
Dentro do PSD, porém, uma ala liderada por Kassab resistia à ideia e defendia uma chapa formada exclusivamente por quadros do partido. Um dos principais defensores dessa tese era o ex-governador e ex-senador Jorge Bornhausen.
— O PSD acredita que cada partido deveria ter seu candidato e, por isso, defende uma chapa pura. Pode ser mulher ou homem, o que importa é ser do PSD — afirmou Bornhausen ao GLOBO durante as discussões sobre a composição da chapa.
A avaliação acabou prevalecendo. As dificuldades para costurar uma aliança com União Brasil e PP, somadas à necessidade de fortalecer a candidatura dentro do próprio PSD, levaram Caiado a optar pelo próprio presidente nacional da legenda. Também pesou o fato de o ex-governador ter ingressado no partido no início do ano no partido, após deixar o União Brasil, o que levou dirigentes históricos a defenderem que a vaga de vice permanecesse com um nome identificado com a história da sigla.
A escolha também busca enfrentar um dos principais desafios da candidatura de Caiado: transformar o apoio formal do PSD em apoio efetivo nos estados. Desde que foi lançado como presidenciável do partido, o ex-governador enfrenta dificuldades para unificar a legenda em torno de seu projeto nacional. Governadores e pré-candidatos do PSD mantêm alianças regionais com adversários de Caiado, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o que dificulta a construção de um palanque nacional.
Nos bastidores, aliados avaliam que Kassab poderá exercer papel decisivo para reduzir essas resistências. Como presidente nacional do PSD, ele concentra a interlocução com os diretórios estaduais e deverá assumir protagonismo na articulação política da campanha, tanto na montagem dos palanques quanto nas negociações para ampliar o número de apoios durante o período das convenções.
O anúncio ocorre em um momento em que Caiado tenta ganhar competitividade na disputa pelo Planalto. Auxiliares do ex-governador avaliam que a definição do vice encerra uma das principais pendências da pré-campanha e permitirá concentrar esforços na consolidação de alianças e na nacionalização da candidatura. Hoje, entre os seis governadores do PSD, Caiado só ganhou o apoio explícito de um: Ratinho Júnior, do Paraná. A bancada do partido na Câmara e no Senado também se divide entre as pré-candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
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