Ela é natural de Botucatu, no interior de São Paulo. Antes de Jeri, a jovem estava morando em Araraquara devido à faculdade. Ela se formou em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia.
Lívia chegou em Jericoacoara no fim de maio, com a mãe, para uma viagem que, de início, tinha uma data final. Era a primeira vez dela na vila. No dia de voltar para São Paulo, a jovem passou a se questionar se deveria ou não pegar o voo de volta.
“Por que eu vou embora? Por que eu vou pegar esse voo de volta? Eu me questionei de verdade. Eu vou ficar por aqui. Se as coisas derem certo aqui, eu fico; se não, eu continuo minha vida. E até o momento está dando certo, então, a ideia é ficar por aqui”, declarou. Em entrevista ao g1, a jovem falou que ainda não decidiu quanto tempo vai passar na vila cearense.
Lívia falou que a primeira pessoa a quem ela contou da decisão de não voltar para São Paulo foi a mãe, que havia passado uma semana com ela em Jericoacoara. A primeira reação da mãe foi surpresa.
“No primeiro momento, ela ficou tipo: ‘você é maluca mesmo, você é maluca’. Ela só acreditou que eu estava fazendo isso de verdade no momento em que ela entrou no transfer para ir para o aeroporto”, lembrou Lívia.
Porém, a engenheira recebeu apoio da família. “Ela (mãe) gostou da ideia, me apoiou; meu pai me apoiou muito. Então, eu pensei: ‘está todo mundo me apoiando, então é isso’”, explicou.
Lívia comentou que a decisão não veio a partir de um sentimento avassalador, irracional. “Foi uma paixão mais consciente, de que eu vi tudo que Jeri tinha a oferecer. Mas eu também vi aquilo que Jeri não podia oferecer. E claro que a gente vai conhecendo isso ao longo do tempo”, explicou.
Lívia avaliou que o momento de transição em que vivia facilitou a decisão. Ela recentemente se formou na faculdade e encerrou o trabalho de pesquisa que ela realizava na área de modificação de micro-organismos para produção de biomoléculas.
“Eu sou uma pessoa muito aberta para a vida. Eu gosto de viver, de ter experiências, eu gosto de provar um pouco de tudo”, declarou a engenheira.
Lívia disse que ainda está resolvendo questões como moradia e emprego na vila. No entanto, ela já conseguiu algumas oportunidades pontuais. “Fiz diversas entrevistas, comecei a filtrar e ver o que era mais para mim, o que era menos, o que se encaixava melhor”, comentou.
“Eu já fiz parte de divulgação de festas aqui, já trabalhei também, fiz um trabalho de modelo para fotos de hotel. Eu vou começar com um trabalho de 'folguista' [referindo-se a um emprego temporário para cobrir folgas ou férias de outros funcionários] em recepção e também de garçonete”, complementou a engenheira.