O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará aos Estados Unidos para se encontrar com o presidente americano, Donald Trump. A reunião, que ocorrerá na Casa Branca, em Washington, está prevista para quinta-feira.
Durante uma conversa telefônica em janeiro, Lula e Trump acertaram a visita do brasileiro aos Estados Unidos, mas a guerra contra o Irã adiou a viagem. O brasileiro tem criticado a ofensiva americana contra o país do Oriente Médio.
Em fevereiro, Lula chegou a afirmar que a visita a Trump deveria ocorrer na primeira semana de março. Este será o terceiro contato pessoal entre os dois presidentes desde que Trump assumiu seu segundo mandato, e o segundo em solo americano. Os dois tiveram um breve encontro, de aproximadamente um minuto, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em setembro, logo após o discurso de Lula e imediatamente antes da fala de Trump no evento.
Em outubro, a pedido do governo do Brasil, Trump voltou a se encontrar com Lula, desta vez na Malásia, onde os dois participaram como convidados da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco que reúne economias do Sudeste Asiático.
Para a visita a Washington agora, Lula deixará o Brasil na quarta-feira e deve retornar na sexta. A viagem acontece quando o governo vive o pior momento em sua relação com o Congresso, após o Senado rejeitar a indicação feita pelo presidente do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Por isso, a expectativa é que o Planalto se valha do encontro com Trump para mostrar que Lula tem prestígio internacional e afastar a pecha de "pato manco" que a oposição tenta pregar no petista depois da derrota inédita da semana passada. O termo costuma ser usado para se referir a presidentes em fim de mandato com baixo capital político.
Entre os temas que devem ser discutidos entre os dois presidentes, estão, além da guerra promovida contra o Irã, o tarifaço sobre exportações brasileiras. Em fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço de 50% de Trump que atingia produtos brasileiros. Mas, dias depois da decisão, o presidente dos Estados Unidos fez questão de reafirmar que seu governo segue investigando o Brasil e a China por supostas práticas comerciais desleais.
"Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que medidas corretivas são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas", afirmava nota divulgada, na época, pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), agência de representação comercial americana.