
Questionado, o senador afirmou que as viagens tiveram “finalidade pessoal e familiar”, mas não esclareceu quem pagou pelos custos do jatinho (leia mais abaixo).
O advogado Willer Tomaz disse que não obteve nenhum favorecimento na administração pública e é amigo de Flávio Bolsonaro (leia mais abaixo).
Documentos do Aeroporto de Brasília obtidos pelo Estadão indicam que Flávio Bolsonaro ingressou no terminal executivo com sua esposa às 23h37 do dia 30 de abril de 2025 – uma quarta-feira, véspera do feriadão do 1º de maio. No mesmo horário, também foi registrado o ingresso de Willer Tomaz.
De acordo com os registros de voos, a 0h26 partiu do terminal uma aeronave particular com destino à Flórida. O avião está registrado em nome de uma empresa dos donos da União Química, laboratório químico-farmacêutico sediado em São Paulo. O escritório de Willer já atuou para a empresa em processos na Justiça.
O Estadão fez contato telefônico nesta sexta-feira, 3, com um dos sócios da empresa dona do avião, Fernando Marques, que não retornou. Da marca Bombardier, a aeronave é considerada um jato executivo de longo alcance e tem capacidade para 13 passageiros.
Os documentos também registram uma entrada de Flávio Bolsonaro com sua esposa e suas duas filhas no dia 1º de abril de 2025, às 16h. Menos de dez minutos após a entrada deles, um jatinho particular pertencente a uma empresa ligada a Willer Tomaz deixou o terminal com destino ao Rio de Janeiro. A aeronave é um Cessna modelo 550 Bravo, com capacidade para oito passageiros.
Os documentos do terminal indicam três outras entradas de Flávio para viagens em aviões particulares, mas não é possível identificar o destino e a aeronave usada nesses deslocamentos.
Muito conhecido nos bastidores de Brasília, Willer Tomaz tem bom relacionamento com diversos parlamentares e possui um escritório de advocacia, além de empresas de outros ramos de atividades. Ele se aproximou de Flávio Bolsonaro durante o período em que Jair Bolsonaro era presidente da República, mas mantém relações com políticos de vários espectros partidários. Willer é sócio do ex-procurador Eugênio Aragão, que tem ligações ideológicas com o PT.
No passado, Willer chegou a ser preso pela Polícia Federal após ter sido delatado por Joesley Batista sob acusação de tentar corromper um procurador, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) rejeitou a denúncia movida contra ele por falta de provas. Em depoimento prestado posteriormente, o próprio Joesley voltou atrás e disse que não contratou Willer com o objetivo de influenciar autoridades públicas.
Veja a íntegra das manifestações do senador Flávio Bolsonaro e do advogado Willer Tomaz.
Nota do senador:
“O senador Flávio Bolsonaro mantém relação de amizade com o advogado Willer Tomaz, assim como suas famílias, sem qualquer vínculo profissional ou comercial. Diferentemente de Lula, que utiliza aviões de amigos que têm empresas reguladas pelo governo, os voos tiveram caráter privado, com finalidade pessoal e familiar, não havendo qualquer contrapartida, favorecimento ou relação com a administração pública”.
Nota do advogado:
“O advogado Willer Tomaz esclarece que os voos mencionados tiveram caráter estritamente privado, realizados no contexto de relação pessoal de amizade entre as partes. Os deslocamentos foram de natureza exclusivamente pessoal e familiar, sem qualquer vínculo comercial, prestação de serviços ou contrapartida de qualquer natureza”, afirmou em nota.
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