Brasil deputada corrupta
PF aponta que deputada do CE era 'articuladora política' de esquema de fraudes no INSS
Maria Gorete Pereira (MDB-CE) passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica após ser alvo da PF nesta terça (17). Os outros acusados de envolvimento no esquema foram presos preventivamente.
17/03/2026 11h41 Atualizada há 2 meses
Por: Humberto Vital Fonte: TV Globo e g1 — Brasília
Deputada Gorete Pereira (MDB-CE) — Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

A deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), alvo da operação da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (17) contra desvios em aposentadorias e pensões do INSS, é apontada por investigadores como "articuladora política" do esquema junto a órgãos públicos.

🔎As investigações da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelaram um esquema criminoso para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as apurações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões.

A informação consta no relatório da PF citado na decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a operação. A parlamentar foi alvo de medidas cautelares, e passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica, além de ter outras restrições impostas pela Justiça.

Na operação, a PF também prendeu preventivamente o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada e ex-presidente de associações de aposentados e pensionistas no Ceará Cecília Rodrigues Mota, que também estariam envolvidos no esquema.

No caso de "Maria Gorete Pereira, deputada federal em exercício, o MPF afirmou haver elementos de que teria atuado como articuladora política junto a órgãos públicos, além de ter recebido valores por meio de interpostas pessoas e empresas de fachada", diz o documento, citado na decisão.

Em um dos destaques, a PF aponta pagamento sistemático de propina, inclusive, com repasses para o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Ele foi preso em novembro do ano passado.

"Conforme indicam as análises dos extratos bancários dos recursos atribuídos à STEFANUTTO, no período compreendido entre abril de 2024 a janeiro de 2025, foram repassados ao então Presidente do INSS cerda de R$ 4.000.000,00 a partir de contas vinculadas à investigada CECÍLIA RODRIGUES MOTA", destaca a PF.

A defesa do empresário Natjo Pinheiro afirma que "considera a prisão preventiva decretada medida desnecessária e desproporcional" (veja a nota na íntegra mais abaixo). Procuradas pela TV Globo, as defesas das demais investigadas não se manifestaram.

Como funcionava o esquema

Segundo os investigadores, mensagens de celular trocadas no celular de Cecília apontam que ela "pagava propina a servidores do INSS para execução do esquema criminoso de descontos em aposentadorias e pensões".

"As investigações revelam que os recursos que eram utilizados para esses pagamentos advinham de empresas de Natjo de Lima Pinheiro [...] Natjo envia para Cecília os recursos para os pagamentos das propinas mês a mês, para pagamento de servidores do INSS, sob o título COMISSÃO BRASÍLIA BSB", diz o documento.

Maria Gorete Pereira, por sua vez, "utilizava influência política [como deputada] para viabilizar acordos com o INSS e manter contato direto com autoridades administrativas, bem como pressionava servidores públicos para acelerar processos", prossegue o texto.

"O nome de MARIA GORETE aparece expressamente em tabela de pagamento de propina enviada por mensagem de NATJO a CECÍLIA e ao lado do seu nome aparece a quantia de R$ 780.433,50", diz a PF.

Ligação com outros presos

A Polícia Federal (PF) também transcreve trechos de conversas entre Natjo e Cecília que revelam possível pagamento de valores indevidos a André Paulo Fidelis, então Diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS, e a Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, então Procurador-Geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS.